Cárie Dentária

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Introdução

 

A cárie dentária é uma doença provocada por bactérias que existem no meio oral. Em situações normais existem na nossa boca inúmeras espécies de bactérias que vivem em equilíbrio, constituindo a flora oral.

Todas as bactérias necessitam de nutrientes para sobreviverem, e o meio oral tem condições óptimas para o desenvolvimento das bactérias e a sua reprodução uma vez que fornece os nutrientes necessários, temperatura e humidade.

Felizmente, a maior parte das bactérias que existe no meio oral são bactérias não patogénicas, ou seja, não prejudicam a nossa saúde. Contudo, existem algumas espécies patogénicas e, dentro destas, algumas são especificamente cariogénicas, ou seja, estão relacionadas com o aparecimento da cárie dentária, por exemplo, a espécie Streptococus mutans.

Quando, por algum motivo, existe um desequilíbrio na flora oral que favorece o desenvolvimento e reprodução das bactérias cariogénicas, temos alta probabilidade de começar a sofrer de cárie dentária.

As causas desse desequilíbrio podem ser diversas, desde alterações na alimentação, na saliva, má higiene oral, contágio a partir de outra pessoa, problemas de saúde, etc.

Existe ainda um factor importante no aparecimento da cárie dentária e de outras doenças: a susceptibilidade genética do indivíduo. Há pessoas que têm mais susceptibilidade a desenvolver cárie dentária e outras menos.

Existem fundamentalmente 3 condições para o desenvolvimento da cárie dentária: a presença de bactérias cariogénicas, a presença de nutrientes para o desenvolvimento destas, e a susceptibilidade do indivíduo. Quando estas três condições se juntam, é altamente provável que exista a doença.

Factores de Risco

 

Os factores de risco favorecem o estabelecimento dessas condições e os principais são, entre outros:

  • Má higiene oral
  • Dieta rica em açúcar
  • Alimentos ou bebidas ácidas
  • Bebidas refrigerantes
  • Tabaco

 

Formação e evolução das lesões de cárie

 

As bactérias acumulam-se nas superfícies das mucosas, gengiva e dentes, formando a placa bacteriana, que é visível como uma película esbranquiçada que se remove através da escovagem e uso de fio dentário. Se a placa bacteriana não for removida vai aumentando de espessura e começa a calcificar (tártaro), sendo cada vez mais difícil de remover através da higiene diária.

Quando a placa bacteriana contém elevada concentração de bactérias cariogénicas, elas captam os nutrientes existentes no meio oral, principalmente os açúcares. Como resultado da metabolização dos açúcares, as bactérias libertam gases e ácidos. Os ácidos libertados, em contacto com os dentes, provocam a desmineralização do esmalte. Como resultado, o esmalte vai perdendo as suas características de protecção e começa a desenvolver-se uma pequena cavidade que é rapidamente ocupada por novas bactérias, continuando sucessivamente este processo.

Nesta altura, dado que o esmalte não tem sensibilidade, o paciente não tem qualquer sintoma. Sendo assim, a lesão só poderá ser detectada por um médico dentista, seja através da observação clínica com o uso de uma sonda, seja com a utilização de radiografias, ou com outros métodos. Daí a grande importância das consultas semestrais de manutenção que aconselhamos aos nossos pacientes. O tratamento nesta fase é bastante mais fácil e sem grandes perdas em termos de tecidos dentários.

Se a cavidade não for detectada, a destruição do esmalte continua, progredindo em direcção ao interior do dente. Quando atravessa o esmalte e atinge a dentina, o processo torna-se muito mais rápido, uma vez que a dentina é menos mineralizada e contém os túbulos dentinários, que as bactérias colonizam com relativa facilidade. À medida que a lesão aumenta no interior da dentina, começam a aparecer os primeiros sintomas – dor com mudanças de temperatura, principalmente com bebidas frias, ou ao mastigar (por impactação de alimentos na cavidade). No início as dores são muito ligeiras e passam rapidamente após a retirada do estímulo. Quanto maior a lesão e mais perto da polpa, maiores são as dores e mais tempo demoram a passar. O tratamento nesta fase é a remoção dos tecidos cariados e a respectiva restauração, e envolve uma perda de tecidos naturais que é tanto maior quanto mais desenvolvida estiver a lesão.

Se mesmo nesta fase o paciente não procurar ajuda, a lesão vai evoluindo até atingir a polpa dentária, acabando por provocar a necrose (morte) da mesma e a consequente infecção da região periapical (ligamento periodontal e osso alveolar à volta do ápice da raíz).

Muitas vezes, antes da necrose da polpa o dente desenvolve uma pulpite, ou seja, uma inflamação da polpa como resposta do organismo à agressão das bactérias. Quando existe uma pulpite, normalmente ela manifesta-se com dores muito intensas, que duram minutos, com aparecimento espontâneo ou com bebidas ou alimentos quentes. Muitas vezes estas  dores são difusas, atingem outras zonas na face ou cabeça, e os pacientes por vezes não conseguem identificar o dente responsável pelas mesmas.

 

1 - lesão inicial; 2 - cavidade extensa, com atingimento da dentina; 3 - necrose pulpar e lesão periapical.
1 – lesão inicial; 2 – cavidade extensa, com atingimento da dentina; 3 – necrose pulpar e lesão periapical.

A pulpite pode ser reversível ou irreversível. Se for reversível, é possível tratar a polpa e manter a vitalidade do dente, realizando depois a restauração do mesmo. Se for irreversível, o único tratamento possível é o tratamento endodôntico (desvitalização) ou a extracção do dente.

Em caso de necrose pulpar, se evoluir para infecção da região periapical pode dar origem a um abcesso agudo, com edema (inchaço), dores fortes, possivelmente febre, libertação de pús, etc., podendo inclusivamente provocar problemas graves de saúde ou mesmo a morte.

As lesões periapicais podem também tornar-se crónicas, com poucos ou nenhuns sintomas, mas evoluindo lentamente e podendo desenvolver quistos que podem atingir dimensões com envolvimento de vários dentes e grande destruição do osso do maxilar. No caso de ser possivel manter o dente, o tratamento é endodôntico.

 Medidas e tratamentos de prevenção da cárie dentária na Clínica do Mar

 

  • Instruções e motivação para a higiene oral (método de escovagem, fio dentário, pasta fluoretada, colutório)
  • Instruções e motivação para dietas saudáveis, com menos açúcar, principalmente em idades jovens (alimentos e bebidas refrigerantes),
  • Consultas de rotina/manutenção com intervalos regulares (6 meses ou 1 ano, dependendo da susceptibilidade do paciente) e radiografias interproximais (bite-wing) anuais, 
  • Aplicação de selantes de fissuras em molares e pré-molares.
  • Aplicação tópica de flúor quando indicada.

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